
O cenário comercial brasileiro enfrenta um forte teste de resistência em 2026. Um levantamento recente divulgado pela EmpresAqui mostra que o país contabiliza cerca de 3,5 milhões de empresas ativas com pendências tributárias. Se somados todos os tipos de atrasos e contas no vermelho, o total de negócios com restrições financeiras chega à marca de 7,2 milhões.
Na prática, os dados apontam que aproximadamente 12,25% das companhias ativas do país funcionam com algum tipo de débito de impostos. Isso significa que uma em cada oito empresas brasileiras mantém as portas abertas, vendendo e gerando empregos, mesmo lidando com esses desafios de rotina no fluxo de caixa.
O setor de turismo sente de forma direta esse impacto econômico. Negócios focados em hospedagem, alimentação, eventos e locações sofrem com a escalada dos custos operacionais, a sazonalidade e o peso das taxas de mercado.
De acordo com a Cama e Café, as pequenas hospedagens independentes têm buscado alternativas para obter previsibilidade financeira e um controle de caixa mais rígido para superar as oscilações do mercado.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) confirmam a lenta recuperação dos pequenos negócios desse segmento, que acumulou perdas bilionárias nos últimos anos e continua lidando com forte aperto no orçamento e no acesso ao crédito.
Complementando o diagnóstico, a Serasa Experian indica que os atrasos comerciais ultrapassaram a marca de 7 milhões de CNPJs com restrições no país em 2026, com forte peso nos ramos de serviços, comércio e turismo. Cidades com intenso apelo turístico, como Balneário Camboriú, Florianópolis e Rio de Janeiro, aparecem no topo da lista das regiões com maior concentração proporcional de empresas com contas pendentes por habitante, segundo a EmpresAqui.
No ramo da alimentação, o aperto é ainda mais evidente: 20,33% dos restaurantes ativos registram débitos fiscais; 14,97% das lanchonetes operam com contas em atraso.
Outros segmentos com grande volume de restrições incluem o varejo de vestuário, o setor de beleza, a construção civil, o transporte rodoviário e os serviços administrativos.
O perfil do atraso de contas no Brasil
O estudo joga por terra o mito de que apenas negócios recém-criados fecham as contas no vermelho. A maior parte das empresas com pendências já possui anos de estrada e segue em plena atividade no mercado:
- 2,8 milhões são microempresas;
- 2,6 milhões acumulam entre 5 e 20 anos de atuação no mercado;
- 2,4 milhões possuem capital social abaixo de R$ 50 mil;
- Cerca de 90% não são optantes pelo MEI.
Os indicadores sinalizam operações de maior complexidade tributária, menor capacidade de absorver solavancos econômicos e um sufoco constante no caixa diário.
Sudeste lidera em volume de restrições
O estado de São Paulo lidera o ranking absoluto, somando mais de 975 mil negócios ativos com pendências em impostos. Na sequência, aparecem o Rio de Janeiro, com 349 mil empresas, e Minas Gerais, com 301 mil.
Contudo, quando a análise considera a proporção em relação ao total de empresas ativas de cada estado, o Rio de Janeiro assume o topo da lista, registrando a maior taxa de atrasos: 14,64%. Municípios catarinenses de forte atividade comercial e turística, como Balneário Camboriú, Florianópolis e Itajaí, também apresentam alta densidade de negócios com contas pendentes.
Oportunidades para o mercado corporativo
Estar com contas atrasadas não significa, necessariamente, o fim das atividades. Quase metade das empresas com pendências fiscais continua ativa, o que acaba abrindo um polo de oportunidades para o mercado B2B (de empresa para empresa).
Como 95,3% dessas empresas possuem telefone informado e 83,8% disponibilizam e-mail nos cadastros, essa base se tornou altamente acessível para:
- Escritórios de contabilidade e consultoria tributária;
- Plataformas de gestão, ERPs e empresas de tecnologia;
- Fintechs e assessorias de recuperação de crédito.
Analistas apontam que o mercado atual exige soluções que vão além da simples renegociação de prazos, demandando organização financeira, regularização de taxas e eficiência operacional sob medida para cada segmento. Enquanto companhias de logística buscam a regularização para sustentar o crescimento, o varejo e a alimentação focam na sobrevivência imediata e na gestão de custos.