A entrada definitiva dos riscos psicossociais no radar das organizações brasileiras, impulsionada pelas diretrizes da NR-1, coloca a saúde mental no centro da gestão de segurança e saúde do trabalho. Para a psicóloga Geilma, especialista em Psicologia, Psicodrama e tecnologia, essa mudança regulatória precisa ir além do simples compliance burocrático e provocar uma revisão profunda sobre a organização do trabalho.
Durante anos, a abordagem sobre o tema nas corporações seguiu uma postura reativa, intervindo apenas após o surgimento de diagnósticos, conflitos ou afastamentos. A proposta atual exige uma atuação preventiva diante de fatores como sobrecarga de tarefas, pressão excessiva, falhas de comunicação e lideranças despreparadas. Para Geilma, a eficácia dessa transição depende do abandono de modelos pontuais e meramente teóricos.
Com base na metodologia do Psicodrama e no uso do Revelas — ferramenta desenvolvida para promover a autopercepção por meio da escrita —, a profissional defende que ações educativas precisam proporcionar experiências práticas e continuidade reflexiva. A resistência sobre o tempo destinado às atividades preventivas e a percepção de perda de produtividade são apontadas como barreiras culturais a serem superadas tanto por gestores quanto por colaboradores.
A adesão às novas exigências tem atraído a atenção de setores variados, desde a construção civil até fábricas italianas ligadas à alta moda. De acordo com a especialista, a consolidação de ambientes corporativos saudáveis não contraria a busca por resultados, mas estabelece as condições sustentáveis para que os trabalhadores desempenhem suas funções sem comprometer a integridade emocional.