
Dados da OMS de 2024 indicam que mais de 2,6 bilhões de pessoas estão acima do peso no mundo. Além disso, quase um bilhão já convive com a obesidade. Essa realidade também joga luz sobre uma confusão muito comum: achar que sobrepeso e obesidade são a mesma coisa. A verdade é que a diferença exige uma análise bem mais profunda do que os números que aparecem no visor da balança.
De acordo com a nutricionista Fernanda Lopes, o famoso IMC (Índice de Massa Corporal) é o pontapé inicial para entender o quadro. Se a conta fechar entre 25 e 29,9, o diagnóstico é sobrepeso. Passou dos 30, entramos na classificação de obesidade. Porém, a especialista faz um alerta importante: “Exames, medida da cintura, composição corporal e histórico clínico ajudam a compreender a situação de cada paciente”. Ou seja, o IMC sozinho não diferencia gordura de massa muscular, e ter sobrepeso não é uma condenação automática à obesidade no futuro.
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A nutricionista aponta que o ganho de peso é uma condição crônica e multifatorial, envolvendo genética, ambiente e comportamento. Abaixo, ela detalha os quatro principais vilões dessa conta:
1. A rotina que engole a dieta Trabalhar demais, enfrentar trânsito e ter pouco tempo livre é o combo perfeito para apelar aos ultraprocessados. Fernanda Lopes avisa que a saída não é mudar todo o cardápio da noite para o dia. A dica de ouro é a praticidade: preparar refeições com antecedência e deixar frutas fáceis de pegar em casa já facilitam escolhas mais inteligentes.
2. Uma hora de academia não anula o dia sentado Você treina pesado, mas passa o resto do dia grudado na cadeira do escritório ou no sofá? O corpo sente. Interromper esse ciclo com pequenas pausas é essencial. “Associar o movimento a tarefas comuns, como caminhar depois do almoço ou atender a uma ligação em pé, torna a mudança mais fácil de manter”, destaca.
3. O peso do estresse e da insônia Dormir mal bagunça a regulação do apetite e detona a disposição para malhar. Para piorar, a tensão do dia a dia faz com que muita gente busque conforto na comida. Se bater o desespero, a perda de controle ou a culpa, a nutricionista recomenda incluir o apoio psicológico no acompanhamento.
4. O impacto dos remédios na balança Nem toda dificuldade para emagrecer é culpa exclusiva dos hormônios, mas investigar a saúde clínica é vital. Alguns tratamentos podem puxar o peso para cima. Fernanda Lopes é categórica ao afirmar que nenhuma medicação deve ser suspensa por conta própria e que o uso de emagrecedores sem aval médico é perigoso.
No fim do dia, o tratamento vai muito além da meta de quilos perdidos. O verdadeiro foco, segundo a especialista, deve estar em melhorar exames, recuperar a mobilidade e fazer as pazes com a própria alimentação ao longo de todas as fases da vida.
Por: Felipe Reis