Efeito sanfona pode trazer benefícios para saúde, revela estudo

Redação
Por Redação
4 Min Read

Créditos: Foto/Divulgação

Estudo indica que oscilação de peso pode beneficiar composição corporal.

Uma pesquisa recente publicada na revista científica “BMC Medicine” revelou que o chamado “efeito sanfona”, caracterizado pela oscilação constante entre perder e ganhar peso rapidamente, pode, surpreendentemente, trazer benefícios para o organismo. Longe de ser apenas um desafio frustrante no processo de emagrecimento, esses ciclos podem impactar positivamente a composição corporal e a saúde metabólica, conforme os achados do estudo.

O efeito sanfona é frequentemente visto como o maior obstáculo para muitos indivíduos que buscam perder peso, gerando frustração ao recuperar quilos perdidos com esforço. No entanto, a investigação focou em como essa dinâmica afeta a composição corporal, com especial atenção à gordura visceral. Esta gordura, que se acumula dentro da cavidade abdominal e perto da barriga, é metabolicamente ativa e pode interferir no funcionamento de diversos órgãos, aumentando os riscos de síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.

De acordo com o estudo, os ciclos de perda e ganho de peso podem levar a uma distribuição de gordura mais favorável. A professora Iris Shai, da Ben-Gurion University e uma das autoras principais da pesquisa, explicou que a análise demonstrou que retornar ao peso inicial não implica necessariamente em retornar ao mesmo nível de risco. Os participantes conseguiram recuperar o peso mantendo uma distribuição de gordura abdominal mais benéfica, além de apresentarem melhor sensibilidade à insulina e um perfil lipídico mais favorável.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores realizaram um acompanhamento inédito de cinco e dez anos com participantes de dois ensaios clínicos sobre dietas. Os estudos, que incluíram aproximadamente 500 participantes e duraram 18 meses cada, avaliaram intervenções baseadas na dieta mediterrânea e na atividade física em comparação com dietas controle. Exames detalhados de ressonância magnética foram realizados antes e depois de cada intervenção. Os resultados indicaram que, embora os participantes tenham iniciado a segunda intervenção com peso similar ao registrado na primeira, o perfil de gordura abdominal e os marcadores metabólicos apresentaram melhorias entre 15% e 25% em relação aos valores iniciais. Iris Shai ainda detalhou que os pacientes que repetiram o processo tenderam a recuperar menos peso e menos gordura abdominal nos anos seguintes, o que pode contribuir para um benefício cardiometabólico ao longo do tempo.

Esse fenômeno apoia a ideia de uma “memória cardiometabólica”, um benefício residual que pode persistir apesar do reganho de peso, potencialmente impulsionado por uma combinação de adaptações em nível tecidual e hábitos de estilo de vida mais duradouros, conforme analisado por Shai. Embora o estudo não possa determinar um único mecanismo causal, ele sugere que recuperar peso não significa automaticamente perder todos os benefícios, e que tentativas repetidas de emagrecimento podem oferecer uma vantagem adicional. A pesquisadora ressalta que o sucesso de um processo de emagrecimento não deve ser avaliado apenas pelo peso corporal, mas idealmente pelas mudanças na gordura abdominal, especialmente a visceral. Os próximos passos da pesquisa incluem testar esses padrões de benefícios em populações mais diversas, examinar mediadores como qualidade da dieta e atividade física, e explorar mecanismos biológicos como gasto energético e dinâmica do tecido adiposo.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *