Artrite Reumatoide: dor e fadiga persistem mesmo com inflamação controlada

Redação
Por Redação
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Artrite Reumatoide (Foto: Pexels)

Mesmo com a inflamação das articulações sob controle, pacientes com artrite reumatoide frequentemente continuam a enfrentar desafios significativos, como dor e fadiga persistentes, que impactam diretamente sua qualidade de vida. Um estudo brasileiro, publicado recentemente na revista científica BMJ Open, analisou 1.079 pessoas acompanhadas em 11 centros públicos especializados do país, destacando a lacuna entre a melhora clínica e o bem-estar do paciente.

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A pesquisa, que teve a reumatologista Licia Mota, do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), entre suas autoras, identificou que a dificuldade para realizar atividades do dia a dia foi o fator com a relação mais forte com a pior qualidade de vida, tanto física quanto mental. As mulheres representaram 89,4% dos participantes e, mesmo após considerar outros fatores, ser mulher permaneceu associado a um pior resultado na dimensão mental da qualidade de vida.

Impacto na rotina e saúde emocional

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Para quem observa de fora, uma pessoa com artrite reumatoide pode parecer manter a independência, trabalhando e cumprindo compromissos. No entanto, essa autonomia pode ser mantida com dor, fadiga ou um esforço muito maior do que antes, levando ao abandono de atividades prazerosas. A qualidade de vida abrange como a pessoa se sente física e emocionalmente, e o quanto a doença interfere no trabalho, lazer e relações.

Outro estudo, focando na rotina de 32 adultos (28 mulheres) com a doença, revelou uma redução da participação em todos os tipos de atividade analisados após o início da artrite, especialmente em tarefas diárias complexas, lazer que exigia esforço e vida social. Isso sugere que a pessoa pode continuar cumprindo obrigações, mas deixando de lado aspectos importantes de sua vida.

A complexidade da fadiga e da dor

A fadiga associada à artrite reumatoide não é um simples cansaço. É uma exaustão persistente, desproporcional ao esforço, que pode afetar a concentração, autocuidado, trabalho e relações. Em um estudo com 80 pacientes da Coorte Brasília de Artrite Reumatoide Inicial, 57 apresentaram um grau de fadiga clinicamente relevante. A dificuldade para realizar atividades diárias foi consistentemente associada à fadiga, que nem sempre anda junto com a inflamação.

Da mesma forma, a dor pode persistir mesmo em pessoas que atingem a remissão clínica. Fatores como fibromialgia e alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso podem estar envolvidos. É crucial não atribuir a dor persistente apenas a questões emocionais, embora dor crônica e saúde mental possam se influenciar mutuamente.

Sexualidade e recuperação da autonomia

A sexualidade é outro aspecto da vida frequentemente afetado e pouco discutido. Dor, rigidez, inchaço, fadiga e dificuldade de movimento podem atrapalhar a vida sexual, assim como autoimagem, ansiedade e medicamentos. Um estudo da Coorte Brasília com 54 mulheres com artrite reumatoide inicial mostrou que 79,6% apresentaram disfunção sexual, evidenciando que a vida íntima pode estar comprometida mesmo com a doença controlada.

Contudo, o diagnóstico não significa perdas definitivas. Uma pesquisa que acompanhou 40 pessoas (90% mulheres) com artrite reumatoide inicial por três anos indicou melhora da capacidade funcional e da maioria dos aspectos da qualidade de vida avaliados. O tratamento e acompanhamento desde as fases iniciais, incluindo a atividade física – reconhecida pela EULAR (Liga Europeia contra o Reumatismo) em 2018 e reforçada em 2025 como parte do tratamento padrão – podem levar a uma recuperação importante.

Controlar a inflamação é essencial, mas as consultas devem ir além dos exames. Perguntas sobre a qualidade de vida podem indicar a necessidade de fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, tratamento específico para a dor ou orientação para atividade física. Uma articulação menos inflamada é uma conquista, mas recuperar a capacidade de passear, trabalhar sem exaustão, dormir melhor e retomar atividades prazerosas também são indicadores cruciais de melhora.

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