
Um estudo recente do Fórum Econômico Mundial acendeu um alerta para o mercado de trabalho global. Segundo o relatório Future of Jobs, cerca de 60% dos profissionais deverão passar por algum tipo de treinamento ou requalificação até 2027 para acompanhar o avanço da inteligência artificial e da automação.
A projeção reforça um movimento já perceptível em grandes empresas: o investimento em educação corporativa como estratégia para manter competitividade e produtividade em um cenário de mudanças rápidas nas exigências de habilidades.
É nesse contexto que a empresa britânica Salus Optima, especializada em soluções educacionais baseadas em tecnologia, anunciou a entrada do empresário brasileiro João Araújo em seu Conselho Consultivo. A companhia desenvolve plataformas que utilizam inteligência artificial para personalizar trilhas de aprendizagem e já atende multinacionais como Bayer e PepsiCo.
A proposta da Salus Optima é adaptar ferramentas tecnológicas de alta performance — algumas desenvolvidas em parceria com o ecossistema da Fórmula 1 — para diferentes realidades corporativas ao redor do mundo. A chegada de Araújo ao conselho tem como foco aproximar essas soluções de mercados emergentes, especialmente na América Latina e na Ásia.
Segundo a empresa, o executivo contribuirá principalmente na definição de diretrizes pedagógicas e na adaptação dos programas de capacitação a diferentes culturas organizacionais. A ideia é facilitar a transferência de conhecimento técnico para ambientes onde a lacuna de habilidades digitais ainda representa um desafio ao crescimento econômico.
Ao comentar o cenário atual, Araújo destacou a necessidade de integrar tecnologia e desenvolvimento humano. “A tecnologia não deve substituir o talento humano, mas potencializá-lo. Em um mercado onde as competências mudam rapidamente, o aprendizado contínuo passou a ser uma exigência prática, não apenas um conceito teórico”, afirmou.
Formado em engenharia civil, João Araújo é fundador do Grupo Buritipar e teve participação na expansão internacional da Buritirama Mineração. Para o CEO da Salus Optima, Rodrigo Jesus, a experiência do executivo brasileiro em gestão de pessoas e operações globais pode ajudar a empresa a ampliar sua atuação em regiões que enfrentam dificuldades na formação de mão de obra qualificada para a economia digital.
Especialistas apontam que iniciativas desse tipo tendem a se tornar cada vez mais frequentes, à medida que empresas buscam soluções rápidas e escaláveis para preparar seus times para um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico — e menos previsível.