Devil May Cry: Explicamos o final da 1ª temporada da série da Netflix

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Poucas adaptações de games conseguem ir além da nostalgia e entregar uma história com ritmo, mitologia própria e personagens cativantes. Devil May Cry, nova animação da Netflix, conseguiu esse feito ao transformar os jogos da Capcom em uma trama mais ampla, que não apenas adapta, mas expande o universo.

O resultado é uma primeira temporada que mescla aventura, drama e fantasia sombria, colocando Dante em um papel central, ao mesmo tempo em que apresenta novos aspectos para o universo dos caçadores de demônios. O desfecho, além de responder questões importantes, abre caminho para novos arcos e potenciais traições.

Segredos sobre Sparda e a origem do conflito

Ao longo da temporada, fica claro que a barreira entre o mundo humano e Makai, o reino demoníaco, não é tão impenetrável quanto parece. Pequenas falhas permitem a entrada de demônios menores, mas o verdadeiro perigo surge quando o Coelho Branco consegue roubar a Espada de Sparda e tenta abrir os portões do inferno por completo.

Para impedir essa invasão, a organização DarkCom entra em ação, com a tenente Mary liderando a caça a Dante. A arma do protagonista é vista como uma chave para reabrir o portal, e seu colar herdado também carrega poder ancestral. No processo, Dante descobre ser filho de Sparda, o demônio que um dia traiu sua própria espécie para proteger a Terra.

Ao mesmo tempo, o interesse de DarkCom não se mostra tão heróico quanto aparenta. O vice-presidente dos EUA, Baines, surge como financiador da organização e revela motivações questionáveis para controlar Makai.

Vergil e o retorno de um passado enterrado

Em paralelo, a série revela a sobrevivência de Vergil, irmão gênemo de Dante. Preso em Makai desde a infância, ele se distanciou completamente de sua natureza humana. Criado em um ambiente hostil, Vergil se aliou ao Coelho Branco e ofereceu seu sangue e metade do colar como parte do ritual para destruir a barreira criada por Sparda.

O reencontro entre os irmãos é indireto, mas intenso. Dante sempre acreditou que Vergil e sua mãe tinham morrido em um ataque, mas a revelacão de que seu irmão está vivo e talvez aliado a um antigo inimigo muda completamente seu senso de missão. A dor se mistura à esperança, e isso reacende nele a vontade de salvá-lo, mesmo que isso signifique atravessar o inferno.

Por outro lado, Vergil permanece ambíguo. Suas intenções com Mundus, antigo senhor de Sparda, ainda não são claras. Ele liberta prisioneiros de Makai para serviço do demônio, o que levanta dúvidas sobre se ele busca vingança, poder ou redenção. Particularmente, essa dualidade é o que torna seu personagem um dos mais intrigantes da trama.

O dilema de Mary e a face oculta da humanidade

Enquanto Dante se divide entre o passado e o presente, Mary também enfrenta um conflito interno. Criada para odiar demônios, ela começa a enxergar nuances após encontrar famílias refugiadas de Makai vivendo sob opressão. A convivência com Dante abala suas certezas, mas ainda assim ela decide entregá-lo à DarkCom, temendo o poder que ele carrega.

A decisão revela a fragilidade de suas convicções. Ela acredita estar fazendo o certo, mas começa a perceber que os verdadeiros vilões podem estar entre os humanos. O próprio Baines representa essa corrupção moral, usando tecnologia demoníaca para explorar Makai e transformar o inferno em uma colônia sob seu controle.

O plano de Baines se concretiza com a aquisição do dispositivo de viagem dimensional do Coelho Branco, um objeto que cai em suas mãos por meio de um soldado manipulado. Com esse artefato, o vice-presidente começa a transferir forças militares para Makai, inaugurando uma nova era de dominação humana sobre o mundo demoníaco.

Coelho Branco: vilão ou vítima?

O Coelho Branco, inicialmente apresentado como antagonista principal, revela ter uma história que subverte expectativas. Criado entre humanos violentos, encontrou acolhimento entre demônios de baixo nível em Makai. Quando esses mesmos demônios foram mortos por um erro de DarkCom, ele passou a nutrir raiva tanto dos humanos quanto da ordem imposta por Sparda.

Sua busca por vingança se confunde com um ideal de liberdade. Ele quer destruir a barreira, mas não apenas para liberar demônios, e sim para romper com a hierarquia que oprime Makai. Ainda assim, suas ações o tornam culpado por experimentos brutais e pela manipulação de inocentes, o que o coloca em um lugar ambíguo entre revoluçionário e tirano.

Na batalha final, mesmo após receber um upgrade demoníaco, ele é derrotado por Dante e Mary, com a ajuda do sacrifício de Enzo. A vitória, no entanto, não é absoluta. O dispositivo de viagem some e, sem que percebam, vai parar nas mãos de Baines, mudando o foco do perigo para os humanos.

No fim, Dante declara que pretende entrar em Makai para resgatar Vergil, e convida Mary a se juntar a ele. Mas a tenente, ainda presa à sua missão e aos dogmas que a formaram, opta por traí-lo.

O final deixa pontas abertas, principalmente no que diz respeito à lealdade de Vergil, ao futuro de Mary e à ascensão de Baines como uma figura de poder absoluto. Com tantos caminhos em aberto, Devil May Cry demonstra potencial para explorar ainda mais sua mitologia em futuras temporadas.

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