Campanha ‘Março Azul’ alerta para nova idade de rastreio do câncer colorretal

Redação
Por Redação
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Cuidados com tumor colorretal (Foto: AI)

A campanha Março Azul surge como um alerta necessário diante de uma realidade preocupante. Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra anualmente cerca de 45 mil novos casos de câncer colorretal. O número coloca a doença no topo do ranking de incidência, ficando atrás apenas dos tumores de mama e próstata.

Apesar da alta prevalência, o cenário traz uma esperança fundamentada na ciência: este é um dos tipos de câncer com maior potencial de prevenção. O segredo, no entanto, reside no tempo. O diagnóstico precoce eleva drasticamente as chances de cura, transformando uma doença potencialmente fatal em um quadro tratável.

A nova idade do rastreio

Uma das maiores mudanças nas diretrizes de saúde envolve justamente o momento de procurar o médico. Se antes a recomendação geral era iniciar os exames aos 50 anos, o aumento de casos entre adultos jovens forçou uma revisão por órgãos como a Sociedade Americana de Câncer.

O coloproctologista Marllus Soares, especialista no tratamento de doenças do reto, ânus e intestino, explica que o rastreio agora deve começar aos 45 anos para pessoas de risco médio: “A manutenção dessa inspeção deve acontecer até, pelo menos, os setenta e cinco anos. E após essa idade, a decisão precisa ser individualizada.”

Dr. Marllus Soares (Foto: Instagram)
Dr. Marllus Soares (Foto: Instagram)

Para quem possui histórico familiar de câncer colorretal em parentes de primeiro grau, o relógio corre mais rápido: o rastreio precisa ser antecipado. O médico ressalta que a doença costuma ser silenciosa e se desenvolve a partir de pólipos — pequenas lesões benignas na parede do intestino que podem levar anos para se tornarem malignas.

Exames e prevenção

A jornada de prevenção geralmente começa com testes simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF ou FIT). Caso o resultado seja positivo, a colonoscopia torna-se indispensável.

“Em quadros normais, sem alterações, a colonoscopia pode ser repetida a cada 10 anos em pacientes de risco médio”, aponta Marllus Soares. O exame é considerado o “padrão ouro” porque, além de diagnosticar, ele já permite a retirada dos pólipos antes mesmo que eles virem um câncer.

Fique atento aos sinais que exigem investigação imediata, independentemente da idade:

  • Sangue nas fezes;
  • Mudança persistente no hábito intestinal;
  • Dor abdominal recorrente;
  • Perda de peso inexplicada e anemia.
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