Brasil reduz desmatamento em 32%, mas prejuízo com desastres climáticos soma R$ 38 bi

Redação
Por Redação
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Queimada (Foto: Freepik)

O Brasil vive um cenário de contradições no combate às mudanças climáticas. De um lado, o país conseguiu reduzir o desmatamento em 32,4% no último ano, o que resultou em uma queda nas emissões de carbono. Do outro, os desastres extremos — como secas e enchentes — deixaram um rastro de destruição que custou R$ 38 bilhões aos cofres públicos e privados.

Os dados fazem parte da segunda edição do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, divulgado nesta sexta-feira (20). O relatório, elaborado pelo Centro Brasil no Clima (CBC) e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), acende um alerta: deter a motosserra já não é suficiente se o fogo continua avançando de forma descontrolada.

O levantamento aponta uma dissociação perigosa. Enquanto a derrubada de vegetação caiu, as queimadas explodiram. O bioma mais afetado proporcionalmente foi a Mata Atlântica, com alta de 492% nos focos de incêndio. No Pantanal, o crescimento foi de 176%, seguido pelo Cerrado (92%) e Amazônia (68%).

“Temos um novo desafio. Agora temos os incêndios, que decorrem exatamente da mudança do clima e dos eventos extremos”, afirmou João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente.

O ano de 2024 registrou quase 5 mil ocorrências climáticas graves no país. O Rio Grande do Sul foi o estado que sofreu o maior impacto financeiro. As enchentes históricas geraram prejuízos de R$ 14 bilhões, valor que supera os investimentos estaduais em prevenção e adaptação.

A ministra Marina Silva destacou que o desmatamento “precisa ser coisa do passado”, mas reconheceu que a estrutura dos estados ainda é falha. Atualmente, apenas quatro unidades da federação — Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Piauí — possuem planos de ação climática completos e integrados.

A execução de políticas públicas esbarra na falta de verba carimbada. Segundo o anuário, 19 estados brasileiros ainda não possuem fundos climáticos estruturados. Sem esse mecanismo, fica difícil planejar ações de longo prazo para proteger a população de eventos extremos, que estão se tornando cada vez mais frequentes e caros.

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