Casos de câncer avançam entre pessoas com menos de 50 anos, apontam estudos

Redação
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Cientista no microscópio (Foto: Pexels)

Nos últimos 20 anos, os diagnósticos de câncer cresceram em todo o mundo, com avanço expressivo registrado entre a população com menos de 50 anos. Entre as doenças analisadas, o câncer colorretal (de intestino) foi um dos que mais se expandiram nesse grupo etário.

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Na Inglaterra, a proporção de pessoas abaixo dos 50 anos diagnosticadas com câncer colorretal saltou de cerca de uma a cada 26 mil, em 2001, para aproximadamente uma a cada 12 mil, em 2023. O levantamento é do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF), que avaliou registros da Inglaterra, dos Estados Unidos e da Holanda, identificando alta de novos diagnósticos em sete tipos de tumores apenas no território inglês.

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Apesar da curva ascendente, a quantidade total de ocorrências permanece baixa. Conforme ressalta Amy Berrington de Gonzalez, professora de epidemiologia clínica do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, a doença segue incomum entre os mais jovens: “Três vezes um número pequeno continua sendo um número pequeno”.

Incidência de câncer em pessoas de até 50 anos em 2024 (Foto: DW)
Incidência de câncer em pessoas de até 50 anos em 2024 (Foto: DW)

Cenário na América Latina e no Brasil

Um estudo publicado em 2025, que revisou registros de 50 países e territórios até 2017, apontou elevação dos casos precoces de câncer colorretal em 27 regiões. Na América Latina, os aumentos foram observados no Chile — com alta de quase 4% ao ano, entre as maiores do levantamento —, na Argentina, no Equador, na Costa Rica e em Porto Rico.

No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de 781 mil novos diagnósticos anuais entre 2026 e 2028, tendo como destaques os cânceres de colo do útero e colorretal. Marc Gunter, professor de epidemiologia do câncer no Imperial College London, cita a transição no padrão alimentar na América Latina, com consumo elevado de ultraprocessados, e a ampliação do sedentarismo como possíveis fatores para essa progressão.

Os tumores mais frequentes em adultos jovens

Outro levantamento de 2025, conduzido por Berrington de Gonzalez com dados de 42 países entre 2003 e 2017, comparou indivíduos de 20 a 49 anos com pessoas de 50 anos ou mais. Seis tipos de tumor apresentaram alta entre os mais jovens na maioria das localidades: tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia.

O câncer colorretal apresentou um comportamento atípico: em cerca de um terço das nações avaliadas, ele subiu de forma mais veloz entre os jovens do que entre os mais velhos. “É o único câncer que parece estar aumentando entre os jovens enquanto diminui entre as pessoas mais velhas”, apontou a pesquisadora.

Especialistas ponderam que o aumento de registros pode ter origens distintas. Um estudo norte-americano sobre câncer de pâncreas em pacientes de 15 a 39 anos constatou crescimento restrito a estágios iniciais, sem alteração na mortalidade, o que sugere um reflexo da ampliação de diagnósticos precoces e maior conscientização. No entanto, para o câncer colorretal, dados dos Estados Unidos também apontam alta em estágios avançados, sugerindo avanço real da doença.

Fatores de risco e prevenção

A obesidade figura como causa estabelecida de ao menos 13 tipos de tumores, segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma revisão de 2021 apontou que jovens obesos apresentavam quase o dobro de chance de manifestar câncer colorretal antes dos 50 anos. Pelos números da OMS, a taxa de obesidade duplicou entre adultos e quadruplicou entre adolescentes desde os anos 1990.

Outros fatores comprovados incluem o consumo de bebidas alcoólicas e de carnes processadas, que são classificadas como cancerígenas. Em contrapartida, a ingestão de fibras (leguminosas, grãos integrais e vegetais) atua na redução do risco. A respeito do papel de alimentos ultraprocessados e microplásticos, Marc Gunter enfatiza que as evidências ainda não são conclusivas e carecem de pesquisas adicionais.

Embora Gunter pondere que transformações duradouras dependam de políticas de saúde coletiva, ele ressalta que medidas individuais são eficazes: manter o peso controlado, evitar o sedentarismo, priorizar fibras e limitar produtos processados.

Por: Felipe Reis – @ofelipereis

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