
A eficiência da saúde, da educação e da segurança pública depende diretamente de um fator que raramente ganha os refletores: a gestão financeira. Antes que qualquer obra seja entregue ou um novo programa social saia do papel, o planejamento rigoroso, o controle orçamentário e a transparência das contas públicas operam nos bastidores como a engrenagem decisiva para transformar impostos em serviços de qualidade para a população.
Pesquisas internacionais confirmam que a capacidade institucional de gerir o orçamento impacta diretamente o desenvolvimento social. Segundo levantamentos do Banco Mundial, países e governos locais que adotam mecanismos sólidos de governança fiscal e avaliação de desempenho reduzem desperdícios e conseguem maximizar o alcance dos investimentos públicos. Na prática, a aplicação de boas técnicas de administração orçamentária impede que projetos prioritários sejam interrompidos por falta de caixa ou falhas na execução.
O Brasil tem se destacado globalmente nesse quesito, especialmente na abertura de dados. No Open Budget Survey 2023, indicador internacional que mede a transparência orçamentária em dezenas de nações, o país alcançou a nota 80. O desempenho coloca a gestão orçamentária brasileira em patamar superior ao de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, na edição mais recente do levantamento.
Para a administradora pública com mais de 5 anos na gestao publica e 7 na gestao privada, Adriana Estrella, o planejamento orçamentário é o divisor de águas entre propostas teóricas e entregas reais. “Um programa de saúde, educação ou segurança só existe de verdade quando há planejamento financeiro, execução eficiente e controle. Sem uma base sólida, até as melhores propostas ficam apenas no papel”, afirma em entrevista ao Feed TV.

Bacharel em Direito e autora do estudo Gestão Financeira Pública: um olhar moderno e seguro, que compara os modelos aplicados no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, Adriana Estrella explica que não existe uma fórmula única para a administração das contas públicas.
“Não há um modelo ideal. O que existe é um conjunto de boas práticas. O Brasil se destaca pelas regras fiscais e pela transparência. Os Estados Unidos são referência em orçamento por desempenho, enquanto países europeus avançaram na organização do orçamento por programas. O melhor caminho é combinar essas experiências respeitando a realidade de cada local”, diz a especialista.
Apesar dos avanços em transparência, o desafio atual do setor público reside na conversão de indicadores positivos em retorno prático para a sociedade. “O desafio brasileiro hoje não é apenas criar regras, mas fazer com que cada real investido gere resultado para a população. É isso que diferencia uma gestão eficiente”, destaca Adriana Estrella que nos ultimos 14 anos ocupou posições de gestão e de comando comercial em grandes grupos da indústria e da construção, e liderou a estrutura financeira e orçamentária da Casa Civil e da Secretaria de Estado de Governo do Rio de Janeiro.
“Na iniciativa privada, eficiência significa competitividade. No setor público, significa entregar melhores serviços à sociedade, sempre respeitando os limites legais. O equilíbrio entre controle e capacidade de execução é fundamental”, ressalta Adriana Estrella.
A especialista reitera que a consolidação de boas práticas exige continuidade, capacitação técnica constante e foco na melhoria contínua dos processos administrativos. “Transparência gera confiança. Capacitação das equipes é indispensável. E medir desempenho deve servir para melhorar os processos, não apenas para fiscalizar. Gestão financeira responsável não significa gastar menos, mas gastar melhor. Quando existe organização financeira, planejamento e prestação de contas, quem ganha é a população”, conclui.
Por: Felipe Reis