Quando nos abrimos para o novo, a vida se apresenta cheia de surpresas transformadoras capazes de reescrever nossos caminhos. É guiada por essa premissa de recomeços e novas oportunidades no amor, aliada à sensibilidade à flor da pele e à entrega de quem se doa por inteiro ao ofício, que a atriz Bella Zafira protagoniza “A Última Música”, dando vida à marcante personagem Adriana na minissérie de três episódios que já está disponível no YouTube da Bera Play. Derivado do universo de “O que não falamos”, o projeto nasce sob a direção de Mariana Berardinelli, trazendo no protagonismo uma narrativa afetuosa sobre recomeços, vulnerabilidade e as escolhas amorosas que moldam nossos caminhos.
Na trama, a personagem de Bella é uma vocalista de banda de rock que carrega uma intensidade única e uma leveza apaixonante. Ao surgir na vida de Fabiana (Mafe Siqueira), a personagem promove uma virada libertadora que reflete sobre como nossas escolhas diárias – amorosas ou não – podem abrir caminhos ou nos aprisionar em velhas insatisfações. A construção do papel exigiu de Bella Zafira um mergulho nos ritmos internos de uma artista, explorando o contraste entre a expansão dos palcos e a intimidade dos afetos guardados em silêncio. Com isso, a narrativa destaca a potência dos novos encontros, que vão se revelando à medida que se abre espaço para a vulnerabilidade necessária para amar e ser amado.
“Adriana chega com intensidade e é sempre muito honesta com os seus sentimentos, faz piada com seus excessos e sabe a hora de ir embora quando algo já não lhe cabe mais. Penso que a força dela acaba atravessando e impulsionando na mesma direção as pessoas com quem ela se relaciona. Saber o que se deseja e o espaço em que se quer estar pode assustar, mas também encher de cores os espaços antes opacos.”, reflete Bella.
Para além do entretenimento, “A Última Música” carrega uma camada fundamental de representatividade ao colocar o amor entre mulheres no centro do debate, sob o olhar e a escrita de realizadoras femininas. Em um cenário histórico marcado pelo apagamento dessas narrativas, a obra se posiciona como um manifesto de afeto e presença. Bella ressalta a importância social e poética de narrativas como essa: “Penso que todas as séries sáficas são atuais e necessárias pela defasagem histórica que temos de narrativas de mulheres amando outras mulheres. Principalmente quando escritas e produzidas por mulheres”, declara.
O convite e a sintonia no set
A chegada de Bella Zafira ao projeto reflete o reconhecimento de seu talento no mercado independente. A oportunidade surgiu sem a necessidade de testes, fruto de um convite direto da diretora Mariana Berardinelli por indicação da cineasta Lela Gomes — com quem Bella havia trabalhado anteriormente no projeto “NINA”, spin off do sucesso “Depois da Meia Noite”, da Boleia Produções.
“Quando eu recebi o convite, eu saltava na academia como se tivesse ganho na loteria (risos). Nina foi meu primeiro papel no audiovisual e com ele sempre vem as milhares de inseguranças das quais eu nunca imaginei a possibilidade de ser indicada para um outro trabalho. Mas fui! Eu e Mariana nos encontramos online no mesmo dia, acertamos todos os pontos e eu entrei para um especial de natal do ‘O que não falamos’ (2025) e dele nasceu uma história muito interessante entre a minha personagem Adriana e a Fabiana, encenada pela Mafe Siqueira, que deu vida a essa nova série ‘A última música’”, conta a artista.
O clima nos bastidores e a sintonia rápida entre o elenco e a equipe reduzida garantiram uma química fluida em cena, construída com diálogo, escuta e respeito aos limites na gravação das cenas de maior intimidade com Mafe Siqueira. “E eu e a Mafe Siqueira nos amamos desde o primeiro encontro que fizemos no ano passado. Somos muito parecidas nos gostos de leituras, cafés e desejos de vida e isso já nos uniu de primeira. Depois fomos construindo a relação das nossas personagens com muitas conversas, trocas profundas, exercícios de intimidades e assim foi nascendo a nossa química enquanto casal pra série”, detalha.

Amadurecimento artístico
Este trabalho marca um divisor de águas na carreira da atriz, que enxerga na produção o seu próprio amadurecimento diante das câmeras. Ela revela que o impacto desse projeto em sua trajetória é imensurável. Dedicada a cada detalhe na construção da personagem, a atriz vivenciou o sentimento palpável de evolução profissional. Para ela, foi possível perceber o próprio crescimento, o fortalecimento de suas ferramentas em cena e a presença do prazer superando o nervosismo diante das câmeras. Além dessa virada pessoal, a artista destaca o orgulho pelo progresso coletivo, lembrando o empenho de toda a equipe para entregar um grande trabalho mesmo em uma produção menor e com tempo reduzido. Para Bella, crescer junto com o grupo em meio a essa entrega foi a manifestação da arte em sua forma mais pura.
Com o sentimento de dever cumprido e a expectativa lá no alto, a atriz aguarda a recepção do público para esta obra que equilibra caos, poesia e delicadeza. A torcida é para que a história de Adriana e Fabiana emocione e inspire quem assistir, mostrando que a arte é capaz de suspender a dureza do cotidiano e abrir espaço para novos mundos. Como sintetiza a própria atriz sobre o que o público pode esperar do projeto: “Uma dose de caos e outra de poesia. Uma dose de delicadeza e outra de safadeza. A história conta as pequenezas transformadoras dos encontros. Desde a intimidade que se pode alcançar ao cozinhar com alguém até a tormenta bagunça que a dualidade da vida pode gerar”, finaliza a artista.