Estudo mapeia práticas de inclusão para alunos neurodivergentes

Redação
Por Redação
3 Min Read

Sala de aula (Foto: Freepik)

O Ministério da Educação (MEC) prorrogou o prazo para que estados e municípios façam a adesão à Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (PNEEI). A medida ocorre em meio a uma demanda crescente nas escolas brasileiras. Segundo o Censo Escolar 2023, o país contabiliza 1,77 milhão de matrículas na educação especial, sendo que 95% desses alunos frequentam o ensino regular.

- Publicidade -

Esses índices ganham ainda mais peso quando cruzados com outros dados nacionais. O Censo Demográfico de 2022 identificou 2,4 milhões de brasileiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além disso, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas estima que 7,6% das crianças e dos adolescentes no Brasil convivem com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Com uma parcela tão expressiva de estudantes nas redes de ensino, o atendimento educacional especializado passou a ser uma exigência técnica e legal. Para garantir que o processo vá além da matrícula formal, especialistas têm buscado intervenções embasadas em evidências.

- Publicidade-

Um desses levantamentos foi publicado em abril de 2026 na Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Conduzido pela psicopedagoga Damares Gois, o estudo acadêmico revisou dados de 2010 a 2025 com o objetivo de listar as práticas pedagógicas que realmente funcionam para o público neurodivergente inserido em turmas comuns.

A autora da pesquisa aponta que a efetividade do ensino está ligada a adaptações metodológicas constantes e à aplicação criteriosa do Plano Educacional Individualizado (PEI). “O maior desafio é entender que cada criança é única… a inclusão verdadeira é uma construção diária que envolve a família e a comunidade”, avalia Damares Gois, que atua desde 2011 estruturando métodos voltados para a educação infantil e o ensino fundamental.

Damares Gois (Foto: Instagram)
Damares Gois (Foto: Instagram)

Atualmente morando em Orlando, nos Estados Unidos, onde trabalha como voluntária no suporte a famílias de imigrantes, a psicopedagoga defende que as escolas precisam superar a teoria. Na prática, seu artigo orienta o uso de estratégias de autorregulação e intervenções comportamentais no caso de estudantes com TDAH. Para os alunos com TEA, a indicação é adotar 28 práticas que já foram validadas pelo National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice.

A pesquisa ganhou destaque ao ser veiculada em um periódico com classificação Qualis B1, além de ser indexada em bases prestigiadas, como o Harvard Dataverse. “Ter um estudo publicado na Revista Núcleo do Conhecimento que passa por uma rigorosa revisão por pares e às cegas, e chega a bases de buscas internacionais é um grande reconhecimento para o estudo”, finaliza Damares Gois, que há mais de uma década se dedica à educação inclusiva e foi homenageada como Professora Destaque em 2020 e 2026.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *