Diamantina mantém viva a tradição musical de sacadas em seu centro histórico

Redação
Por Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Cidade mineira, patrimônio da UNESCO, celebra a cultura da Vesperata.

Diamantina, localizada em Minas Gerais, a 292 quilômetros de Belo Horizonte e a mais de 1.100 metros de altitude, destaca-se por preservar um dos centros históricos mais importantes do país. A cidade mantém viva uma forte tradição musical que ressoa pelas suas ruas de pedra, especialmente na Rua da Quitanda, onde músicos se apresentam das sacadas dos casarões coloniais para o público que se reúne nas calçadas.

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O antigo Arraial do Tijuco, como era conhecido, surgiu no início do século XVIII, impulsionado pela descoberta de diamantes nas encostas da Serra do Espinhaço. A Coroa Portuguesa exerceu um controle rigoroso sobre a extração, o que resultou em um traçado urbano singular, sem uma praça central dominante, diferenciando-a de outras cidades coloniais. Reconhecida pelo IPHAN em 1938 e agraciada com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em dezembro de 1999, Diamantina foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII, consolidando seu valor histórico e cultural.

A Vesperata, um concerto ao ar livre que se tornou um símbolo da cidade, é a manifestação mais proeminente dessa tradição musical. Nela, os músicos tocam das sacadas dos casarões coloniais enquanto o público assiste da calçada, e o maestro rege do meio da rua, rodeado por mesas dispostas no calçamento de pedra. Embora a tradição de tocar das janelas remonte ao século XVIII, a Vesperata moderna foi recriada no início dos anos 1990 e hoje é reconhecida como Patrimônio Cultural de Minas Gerais. As apresentações ocorrem geralmente aos sábados, entre os meses de abril e outubro, com um repertório que mescla música popular brasileira e clássica.

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Além da música, Diamantina oferece um rico conjunto de atrações históricas e naturais. O centro histórico, que pode ser explorado a pé, abriga a Catedral Metropolitana de Santo Antônio, a Casa de Chica da Silva – residência da escravizada que se tornou senhora –, e a Casa de Juscelino Kubitschek, onde nasceu o ex-presidente. O Mercado Velho, antigo ponto de encontro de tropeiros, e o Passadiço da Glória, um corredor suspenso em madeira azul, são outros marcos. A região também é rica em belezas naturais, como o Parque Estadual do Biribiri, com suas cachoeiras dos Cristais e da Sentinela, e a imponente Gruta do Salitre. A gastronomia local, com o pastel de angu, o feijão tropeiro e os doces de frutas do cerrado, complementa a experiência cultural.

Visitar Diamantina é mergulhar em um patrimônio que não se limita aos museus, mas que se ouve nas sacadas, se prova no Mercado Velho e se sente nas pedras do Caminho dos Escravos. A alta temporada, entre abril e outubro, coincide com a estação seca e o calendário da Vesperata, oferecendo o clima ideal para desfrutar das atrações. A cidade, terra de figuras históricas como Chica da Silva e Juscelino Kubitschek, continua a encantar visitantes que buscam uma experiência autêntica, acessível por rodovias como a BR-040 e BR-259 a partir de Belo Horizonte, ou por ônibus diários.

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