
O comércio brasileiro iniciou o ano com o pé direito, registrando um crescimento de 0,4% em janeiro e alcançando o patamar mais alto de toda a série histórica. O avanço, embora pareça modesto, reverte a queda de 0,4% observada em dezembro e coloca o setor em um nível de igualdade com o pico anterior, registrado em novembro de 2025.
De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o desempenho superou as projeções do mercado financeiro, que previa uma retração de 0,2%. Na comparação anual, o salto é ainda mais expressivo: as vendas subiram 2,8% em relação a janeiro do ano passado.
O que impulsionou o setor?
O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, destacou que renovações de recordes não são comuns e que o resultado atual consolida um momento positivo para o consumo. O crescimento foi puxado principalmente por quatro dos oito segmentos analisados. Os destaques positivos ficaram com:
- Artigos farmacêuticos e de perfumaria: Alta de 2,6%
- Vestuário e calçados: Alta de 1,8%
- Artigos de uso pessoal e doméstico: Alta de 1,3%
- Supermercados e produtos alimentícios: Alta de 0,4%
Por outro lado, setores que dependem mais de crédito ou tecnologia sofreram baixas significativas, como o de equipamentos de informática (-9,3%) e livrarias (-1,8%).
Análise de mercado
Para o economista André Valério, o varejo brasileiro ainda demonstra uma dependência forte de itens essenciais. Ele pontua que, enquanto o varejo sensível à renda (como alimentos e remédios) acumula alta de 1,6% nos últimos 12 meses, os setores sensíveis ao crédito amargam queda de 0,4%.
A alta de janeiro é vista por especialistas mais como uma recuperação de perdas recentes do que uma mudança drástica de tendência, mas o fôlego do mercado de trabalho tem ajudado a manter o consumo em níveis recordes.