Especialistas alertam para riscos graves de competições de comida nas redes

Redação
Por Redação
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Desafios de comida (Foto: Instagram)

Hambúrgueres que parecem prédios, coxinhas de quilos e baldes de milk-shake. O que para muitos é apenas entretenimento rápido no TikTok ou Instagram, para o corpo humano é uma verdadeira prova de resistência — que pode terminar em tragédia. Os desafios de comida, embora populares, ignoram a biologia básica de um órgão que tem limites bem claros.

De acordo com o gastroenterologista Rafael Oliveira Ximenes, o estômago humano é projetado para acomodar entre 1 e 1,5 litro de alimento. Em situações de extremo exagero, ele até estica para até 4 litros, mas o preço é alto: dor intensa, refluxo e o risco de broncoaspiração (quando o alimento vai para os pulmões durante o vômito).

O cérebro no escuro e o risco de morte

O grande truque dos competidores é a velocidade. Como o cérebro demora cerca de 20 minutos para entender que estamos saciados, comer rápido impede que o sinal de “pare” seja emitido a tempo. “Em casos raros e graves, a distensão extrema pode cortar o fluxo sanguíneo do estômago ou causar perfurações, levando à infecção generalizada”, alerta o médico.

Os riscos não são apenas teóricos. Recentemente, casos fatais chocaram o público. Nos Estados Unidos, um adolescente teve uma parada cardiorrespiratória após o desafio da pimenta ultraardida. Na Grécia, um jovem faleceu ao tentar engolir um hambúrguer inteiro sem mastigar.

Infelizmente, no Brasil também há um registro marcante. Um homem de 37 anos veio a óbito após se engasgar em uma gincana de comer melancia, que ocorreu em dezembro de 2025, em um resort de São Pedro, no interior de São Paulo.

Influenciador corre o risco profissionalmente

Nem todo mundo que faz isso é amador. Ricardo Corbucci, dono do canal CorbucciEats com 12 milhões de seguidores, transformou a fome em profissão, mas com cautela. Ele revela que, apesar de conseguir ingerir quantidades absurdas, mantém uma rotina rígida de exames, musculação e dietas saudáveis fora das câmeras.

Corbucci admite que já teve desarranjos intestinais e picos de glicemia, reforçando que ninguém deve tentar reproduzir esses feitos em casa sem monitoramento. “Quem é profissional tem equipe. Não vale a pena arriscar a vida por diversão”, pontua o influenciador.

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