O Peso Invisível: O Que a Mulher Carrega e Pouco se Fala
 

Biel Carboni
4 Min Read

Por Dra. Maria Fernanda Caliani, psiquiatra
 
No mês dedicado às mulheres, muito se fala sobre força, conquistas e superação. Mas, segundo a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, é preciso ampliar a conversa e incluir aquilo que nem sempre aparece nas homenagens: as dores silenciosas, as sobrecargas invisíveis e os conflitos internos que fazem parte da experiência feminina.


“A mulher foi ensinada a dar conta de tudo. E, muitas vezes, a fazer isso sorrindo”, afirma.
 
A sobrecarga que não aparece nas fotos
 

De acordo com a especialista, uma das principais queixas no consultório é a exaustão emocional. Não necessariamente ligada a um único evento traumático, mas ao acúmulo de funções: trabalho, família, autocuidado, vida social e expectativas externas.
 
“Existe uma carga mental constante. A mulher organiza, planeja, antecipa problemas. Mesmo quando parece descansando, está pensando no que precisa resolver.”

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Dra. Maria Fernanda (Foto: Divulgação)


 
Esse estado contínuo de alerta contribui para índices mais elevados de ansiedade e sintomas depressivos no público feminino.
 
Compulsões: quando o corpo pede socorro


Outro ponto observado é o aumento de comportamentos compulsivos como forma de lidar com emoções reprimidas.
 
Compulsão alimentar, compras impulsivas, excesso de trabalho e busca exagerada por procedimentos estéticos são exemplos que aparecem com frequência. Segundo a psiquiatra, esses comportamentos raramente são sobre o ato em si.
 
“Quase sempre estamos falando de uma tentativa de aliviar dor, frustração, solidão ou sensação de inadequação.”
 
Hormônios influenciam, mas não definem

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As oscilações hormonais ao longo da vida da adolescência à menopausa impactam o humor e a energia. No entanto, Dra. Maria Fernanda alerta para um erro comum:
 
“Reduzir o sofrimento feminino a hormônios é desconsiderar fatores sociais, culturais e emocionais muito mais amplos.”
Para ela, é preciso olhar a mulher em sua totalidade.
 
As alegrias que também merecem destaque
 
Mas nem só de dores se constrói a experiência feminina. A psiquiatra ressalta características frequentemente observadas entre mulheres: maior capacidade de expressão emocional, sensibilidade interpessoal e habilidade de construir redes de apoio.
 
“Quando uma mulher aprende a reconhecer seus limites e a respeitar sua própria história, ela desenvolve uma força muito genuína.”


Há também a alegria da conexão, da maternidade para quem escolhe esse caminho, das amizades profundas e da capacidade de reinventar-se em diferentes fases da vida.
 
Um convite à escuta


Neste mês da mulher, Dra. Maria Fernanda Caliani propõe uma reflexão que vai além das celebrações simbólicas. “Mais do que exaltar a força feminina, precisamos permitir que as mulheres não sejam fortes o tempo todo. Vulnerabilidade também é saúde.”
 
A mensagem central é clara: cuidar da saúde mental não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesma. E talvez seja justamente isso que ninguém conta, que ser mulher envolve dores reais, alegrias intensas e, acima de tudo, o direito de viver ambas com acolhimento e respeito.
 
 
Dra. Maria Fernanda Caliani – Psiquiatra – CRM – 140.770 / RQE 71653

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